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Nova edição da Revista Réplica aborda os impactos das decisões do STF no Ministério Público

A Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMP/RS) disponibilizou, nesta terça-feira, 07 de julho, a 14ª edição da Revista Réplica em formato digital. A publicação reúne reportagens, entrevistas, relatos e análises sobre os principais desafios enfrentados pelo Ministério Público brasileiro e as ações desenvolvidas pela entidade em defesa da carreira e do fortalecimento institucional.

Nesta edição, a matéria principal aborda o cenário vivido pelo Ministério Público diante de recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que vêm produzindo impactos relevantes na estrutura da carreira e nos parâmetros remuneratórios e institucionais. O texto destaca a necessidade de atuação articulada das entidades representativas e apresenta as iniciativas desenvolvidas pela AMP/RS em defesa dos interesses da classe.

A publicação também dedica espaço ao enfrentamento ao feminicídio, destacando a atuação do Ministério Público na proteção dos direitos fundamentais e no combate à violência de gênero. Outro destaque é a reportagem sobre a renovação do quadro de promotores no Tribunal do Júri de Porto Alegre, que reúne juventude e experiência em prol do fortalecimento da atuação ministerial.

A edição traz ainda uma entrevista com o presidente da CONAMP, Tarcísio José Sousa Bonfim, reconduzido ao cargo para um novo mandato. Entre os temas abordados estão os desafios da atuação associativa em âmbito nacional, a defesa das prerrogativas da carreira e as perspectivas para o fortalecimento do Ministério Público brasileiro.

Entre os demais conteúdos, a publicação apresenta os preparativos para o XVII Congresso Estadual do Ministério Público, que reunirá membros da instituição e especialistas para debater inovação, ética e os rumos da atuação ministerial. A edição ainda reúne artigos assinados por Mário Cavalheiro Lisbôa, Cláudio Brito e Rodrigo López Zílio, que refletem sobre temas distintos, mas tendo como mote o ano eleitoral. 

A versão digital da publicação já está disponível no site da AMP/RS. Os exemplares impressos serão encaminhados aos associados em breve.

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Palavra do Presidente

Ministério Público e sociedade: uma trajetória de confiança, compromisso e defesa de direitos

Neste 29 de junho, Dia do Ministério Público, mais do que celebrar uma instituição essencial à Justiça e à cidadania, somos chamados a refletir sobre a responsabilidade histórica que recai sobre todos aqueles que integram o Ministério Público brasileiro: preservar uma instituição concebida pela Constituição de 1988 para ser independente, forte e comprometida exclusivamente com a defesa da sociedade.

O Ministério Público não pertence a governos, a grupos políticos ou a interesses circunstanciais. Pertence à sociedade brasileira.

Sua missão constitucional de defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos direitos fundamentais exige independência, autonomia e segurança institucional. Sem essas garantias, não há atuação livre; sem atuação livre, não há proteção efetiva dos direitos dos cidadãos.

Ao longo das últimas décadas, o Ministério Público consolidou-se como uma das instituições de maior credibilidade do país. Está presente na defesa das crianças e adolescentes, das vítimas de violência, do patrimônio público, do meio ambiente, da probidade administrativa, das pessoas em situação de vulnerabilidade e de tantos outros direitos que dão concretude ao ideal de cidadania previsto na Constituição.

No Rio Grande do Sul, promotores e procuradores de Justiça exercem diariamente suas funções em todos os municípios do Estado, muitas vezes em cenários de elevada complexidade, enfrentando organizações criminosas, graves conflitos sociais, violações de direitos e interesses poderosos. Fazem-no com dedicação, coragem e senso de dever público, honrando a confiança que a sociedade deposita na instituição.

Por isso, é preciso afirmar com clareza: enfraquecer o Ministério Público significa enfraquecer a própria sociedade.

Preocupam-nos os movimentos que buscam relativizar garantias institucionais, reduzir a segurança jurídica das carreiras de Estado ou criar ambientes de permanente instabilidade para aqueles que exercem funções constitucionais de elevada responsabilidade. Nenhuma democracia se fortalece pela fragilização de suas instituições. Nenhum Estado de Direito se consolida pela erosão das garantias que asseguram a independência funcional de seus agentes.

As prerrogativas do Ministério Público não são privilégios. São instrumentos constitucionais destinados a proteger a sociedade, assegurando que promotores e procuradores de Justiça possam atuar com liberdade, imparcialidade e independência, sem receio de pressões externas ou de consequências pessoais decorrentes do exercício legítimo de suas atribuições.

Da mesma forma, a segurança jurídica e a estabilidade institucional dos integrantes da carreira não representam interesses corporativos. São pressupostos indispensáveis para a existência de um Ministério Público forte, técnico e independente, capaz de desempenhar sua missão constitucional com serenidade e coragem.

Instituições fragilizadas produzem cidadãos desprotegidos.

Quando se questionam garantias constitucionais, quando se relativizam direitos assegurados pela ordem jurídica ou quando se promove um ambiente de incerteza institucional, não se atinge apenas uma carreira de Estado. Enfraquece-se a capacidade do próprio Estado de proteger os direitos fundamentais, de assegurar a igualdade perante a lei e de preservar a democracia.

Por isso, a Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMP/RS) reafirma, neste momento, seu compromisso inegociável com a defesa das prerrogativas da classe, da autonomia institucional, da segurança jurídica e da valorização do Ministério Público. Seguiremos vigilantes e atuantes diante de toda iniciativa que represente ameaça à independência funcional ou ao desenho constitucional que tornou o Ministério Público uma das mais relevantes instituições da República.

Nossa responsabilidade é com o presente, mas também com o futuro.

Temos o dever de preservar para as próximas gerações um Ministério Público forte, respeitado e independente, porque a experiência democrática brasileira demonstra, de forma inequívoca, que sempre que as instituições de controle e de garantia são enfraquecidas, os direitos dos cidadãos tornam-se mais vulneráveis.

Neste Dia do Ministério Público, renovamos nossa confiança na instituição, em seus membros e em sua missão constitucional.

Com unidade, firmeza e serenidade, seguiremos defendendo o Ministério Público, porque sabemos que defender suas garantias é defender a cidadania, proteger a democracia e honrar o compromisso permanente de servir à sociedade brasileira.

Segunda-feira, 29 de junho de 2026
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