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“Nenhuma tecnologia substitui a presença”: Carpinejar encerra Congresso com reflexão sobre inovação e humanidade
A palestra “Inovação pelo Afeto: que ninguém seja invisível ao seu lado”, ministrada pelo poeta e comunicador Fabrício Carpinejar, encerrou a programação científica do XVII Congresso Estadual do Ministério Público, nesta sexta-feira, 7 de agosto, no Wish Serrano Resort, em Gramado. Em uma reflexão sobre os impactos da transformação digital nas relações humanas, o palestrante destacou que inovar também significa preservar a capacidade de estar presente, escutar e valorizar os vínculos.
Ao abordar a hiperconectividade, Carpinejar afirmou que a realização simultânea de tarefas e o uso constante de dispositivos têm comprometido a atenção e a construção de memórias. “Hoje a gente não assiste o show, a gente grava o show. A gente deixa o prato de comida esfriar para fazer uma foto”, refletiu. Segundo ele, as lembranças mais significativas são construídas quando existe presença integral. “Não se entra em duas portas ao mesmo tempo. Toda escolha depende da nossa capacidade de reflexão”, destacou.
O comunicador também defendeu a importância de mudar perspectivas e reconhecer as próprias experiências como parte da construção de propósitos. Ao contar histórias de sua infância e de sua família, relacionou vocação, memória e cuidado com o outro. “Vocação é necessidade. Vocação é ter sofrido antes. Vocação é cicatriz. É dizer: eu não quero que ninguém mais passe pelo que eu passei”, ressaltou.
Outro ponto abordado foi a ideia de que ser forte significa suportar tudo. Carpinejar questionou a cultura da resiliência e defendeu o reconhecimento dos próprios limites. “Ser forte não é elogio, é exploração”, afirmou. Para ele, aprender a dizer “não” também é uma forma de cuidado.
A relação com o tempo esteve entre as principais reflexões da palestra. Carpinejar defendeu que os vínculos são construídos também nos pequenos intervalos e contou como passou a dedicar 15 ou 20 minutos aos pais, transformando encontros simples em momentos de afeto. “No fim da vida, serão essas moedas que formarão a fortuna da saudade”, afirmou.
Ao falar sobre a mãe, o comunicador contou que ela costumava pedir que ele devolvesse os potes em que levava comida para casa. Com o tempo, percebeu que o pedido escondia outro desejo. “Eu não reparava que a minha mãe não queria o pote de volta. Ela me queria de volta”, relatou.
A palestra encerrou a programação científica reforçando a dimensão humana do debate sobre inovação. Em diálogo com o tema do Congresso, Carpinejar destacou que, em meio ao avanço tecnológico, é preciso preservar aquilo que nenhuma ferramenta substitui: a presença, a escuta, a memória e os vínculos.




Horário: 18:15
Destaques da AMP/RS
Um congresso para fortalecer o futuro do Ministério Público
Chegamos ao encerramento do XVII Congresso Estadual do Ministério Público com a convicção de que cumprimos o propósito que nos trouxe a Gramado: refletir sobre o futuro da nossa instituição sem perder de vista aquilo que constitui a sua identidade. Ao longo destes dias, reunimos membros do Ministério Público, juristas, especialistas e representantes de diferentes áreas do conhecimento para promover um diálogo qualificado sobre os desafios do nosso tempo e sobre a forma como devemos enfrentá-los, sempre guiados pelos valores que sustentam a nossa missão constitucional.
Ao longo da programação, ficou evidente que este nunca foi um congresso apenas sobre tecnologia. Foi, sobretudo, um congresso sobre pessoas, responsabilidade institucional e compromisso com a sociedade. Discutimos inteligência artificial, transformação digital, segurança da informação e inovação, mas compreendemos, acima de tudo, que nenhuma ferramenta substituirá aquilo que permanece essencial à atuação ministerial: o discernimento, a independência, a consciência ética e a responsabilidade de decidir em defesa da ordem jurídica, dos direitos fundamentais e da democracia.
Também reafirmamos que nenhuma instituição se fortalece isoladamente. O encontro entre colegas, o compartilhamento de experiências, o respeito às diferentes visões e a construção coletiva de soluções mostraram, mais uma vez, que a cooperação continua sendo um dos maiores patrimônios da nossa Associação e da nossa carreira. É desse diálogo permanente que nasce a capacidade de inovar sem renunciar aos princípios que nos trouxeram até aqui e que continuarão orientando o Ministério Público nas próximas gerações.
Agradeço a todos que fizeram parte desta caminhada. Aos palestrantes e painelistas, que compartilharam conhecimento e provocaram reflexões valiosas; aos membros do Ministério Público de todo o Brasil, que enriqueceram este congresso com sua presença e experiência; às autoridades, patrocinadores, parceiros e às equipes responsáveis pela organização, nosso sincero reconhecimento pelo empenho e pela dedicação que tornaram possível a realização deste grande encontro.
Saímos de Gramado convictos de que o futuro exigirá um Ministério Público cada vez mais preparado para lidar com as transformações tecnológicas, mas igualmente comprometido com aquilo que jamais poderá mudar: sua independência, sua humanidade e sua missão constitucional. Se existe uma grande lição que levamos deste congresso, é que nenhuma inovação será mais poderosa do que a capacidade de cooperar, construir confiança e atuar unidos em defesa da sociedade. É esse compromisso que renovamos ao encerrar esta edição, certos de que o futuro do Ministério Público continuará sendo construído por pessoas, para as pessoas.
Muito obrigado.
Viva o Ministério Público!
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